Meu tesouro

E naqueles dias
em que as nuvens cinzentas cobrem o horizonte
tenho medo de passar a névoa escura e densa.
Caminho ferindo os pés
pelas ravinas queimadas, sulfúricas,
Até desço vacilante aos ocres vales lamacentos.

Mas levo sempre, em fé, a mão contra o peito,
para que não me esqueça
do florido solo que carrego em mim.
Mantenho os olhos muito abertos
para que nele nunca falte a luz.

Derramo lágrimas para regá-lo salgado,
chorando sem lamento,
eis que nem todo choro é de tristeza.
E o misterioso horizonte que não vejo,
tenho-o sempre em mente!

Pois mesmo que o perca num futuro incerto
sei que um dia meu caminho lá vai passar,
porque tenho aquele broto pequenino aqui dentro.
E sinto sozinho seu perfume singelo e vivo
que nunca falha em me dar a força
para cruzar os brumosos dias do presente.