Since from myself another self I turned. […]
Dentro de mim brotam fontes
que o ímpio deus com verdugo tridente rompeu.
Seguro na mão esta faca,
seguro na mão direita trêmula,
seguro com a ponta cravada no pulso esquerdo,
seguro, pronto para o último suspiro.
Sem coragem de fazer, desisto de desistir.
Sangra…
Dói, fere.
As lágrimas correm pelo meu rosto.
Lágrimas que se diluem
no imenso oceano invasor,
mar salgado de soluços inaudíveis.
Na água deste mar em que me afoguei, deixo cair
aquela faca assassina e maldita,
lâmina ímpia e cruel, que
se torna semente do porvir.
Hoje, porém, retorno ao antigo sepulcro,
para apenas descobrir,
que em vida explodida, a mão angelical
plantou a oliveira divina.
Amplas e grandiosas ramas,
cresceram onde a faca jazia.
Onde o sangue pingou, germinou a semente.
Vejo hoje que floresce,
A morte passada, em vívido presente.
E o mar se secou.
Defronte de tamanha égide, de exuberante fronde, vejo:
nas folhas, minha face,
nas raízes meus pés,
enterrados firmes no chão.
Nos galhos, meus braços, erguidos ao céu.
na seiva a meu sangue a correr.
E ao bater do vento, murmuro e suspiro,
o primeiro inalar de um renascer.
E, ao contemplar essa estranheza, essa maravilha,
bebo desse néctar,
enche-me a alma, os pulmões,
e do coração agora verte sangue de amor.
Recolho do chão a faca perdida,
sem machucar, desta vez, cavo no tronco um coração.
Escrevo nele meu nome… e meu nome mais uma vez.
E choro de novo, desta vez por outra razão.
Chorar me revela, sou humano mortal, enfrentando o divino.
E todo humano chora, e sangra, e morre. De todo mortal é a sina,
Viver, morrer — mesmo matar — mas sempre, sempre sofrer.
Rolam as lágrimas outra vez,
em fonte de outra natureza.
Caem, fecundam a terra, despertam a Mãe.
Suprema, divina, ela erige e me abençoa.
Diante dela me ajoelho em pobre gratidão.
— Gratidão pelo que,
docemente pergunta,
— Filho meu que renasce?
E eu dominado
por mais profunda humildade,
em mais honesta sinceridade,
respondo oração de uma alma vertida:
— Gratidão… gratidão pela vida!